Meia Pataca

Painel "Tiradentes" (1949) de PORTINARI.
Obra executada para decorar o saguão do Colégio Cataguases -MG,
projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

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Sexta-feira, Março 26, 2004
3.8 Turbo

Hoje faz um ano desde o meu último aniversário, portanto...

postado por Marcos 11:07
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Terça-feira, Março 23, 2004

     Uma porção de tintas
     Há algum tempo tenho me empenhado em perceber o meu passado. E tenho escrito bastante sobre o assunto - talvez para me prevenir da senilidade.
     Nesta conversa comigo mesmo, descobri que assunto puxa assunto. Minha memória é prodigiosa e, quando ela falha, frequentemente, eu preencho as lacunas com tintas, com uma porção de tintas.
     Ando procurando amigos, pesquisando obras, buscando notícias e fatos. E fotografando muito (mas isto já é outra história).

     O que motivou este post
     Após uma busca rotineira na internet, encontrei uma nota no
Zine Cultural sobre o livro "Porção de Tintas", de Márcia Carrano, lançado em outubro de 2003. Tive um sobressalto. Era uma notícia recente. Uma boa nova! Eu poderia seguir esta pista. E foi o que fiz.
     Entrei em contato com o colunista Celso Noronha que, bastante solícito, repassou o meu e-mail para a FUNALFA, editora do livro.
     No mesmo dia, a Sra. Maria Barral, da Assessoria de Imprensa da Funalfa (Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage), entrou em contato comigo e me enviou o livro.
     Recebi a jóia na sexta-feira à noite.
     No sábado, já relia alguns contos.

     O livro
     O texto de Márcia Carrano é leve e intenso. São histórias corriqueiras, mas de grande significado, que trazem à superfície sentimentos humanos quase nunca percebidos.
     Primeiro me deliciei com o conto que dá título ao livro. Depois me encantei com "Natal de barro", "Imprópria para consumo", "Por uma questão de roubo" e "Traindo e retraindo". Quando assume a visão da criança em "E o medo se fez...", "Primeiro dia", Deixe a boneca com ela, filha!", "Rã-cálcio", "Apenas um estojo", é perfeita. Mas o que não me sai da cabeça é a história de Gravataldo, uma crítica bem humorada e profunda, uma visão bastante atual da sociedade.
     Acho que o sonho de todo escritor é escrever com esta leveza e profundidade.
     Em cada conto, em cada canto, deixa o seu recado. Tem gosto de quero mais.
     Eu recomendo, muito.

     A autora
     Márcia Carrano foi minha professora no Colégio Cataguases há alguns anos. Depois, mudou-se para Juiz de Fora, onde (presumo) reside.
     Na minha lembrança (e imaginação) vejo-a pilotando um maverick a duzentos por hora pela cidade, descendo o morro do colégio com uma fome de anteontem - adaptada de uma frase de Chico Buarque que, também, estudou no Colégio Cataguases.
     Tinha uma didática excelente e fazia a gramática suportável. Dava muita importância à redação e sabia, como ninguém, aliar a teoria à prática.
     Lembro-me que, em algumas de suas aulas, era comum colocar uma música instrumental (clássica), distribuir folhas de papel ofício de cor amarela (ainda me pergunto o porque - será que era amarela mesmo?) e nos incentivar a escrever tudo o que nos vinha à cabeça, sem regras nem rédeas.
     Certa vez, provavelmente após uma destas "sessões" criativas, tive a audácia de lhe mostrar um poema. Pois bem, um pequeno descuido na conjugação do verbo compor estragou a minha rima, arruinou o meu poema e demoliu a minha carreira literária.
     A sua correção me causou um desgosto imenso e uma vergonha insuportável. Claro que não parei de escrever, mas, cada vez mais, engavetava minhas anotações.
     Como vocês podem ver, a sua crítica, na época, devastadora para um aluno aplicado, não me tirou o gosto de escrever.
     E é óbvio que nunca almejei uma carreira literária. Foi apenas um borrão de tinta, colorindo minha fantasia.

     Agradecimento
     Gostaria de deixar registrado a minha gratidão a Celso Noronha do Zine Cultural e a Maria Barral da Funalfa, sem os quais este momento de prazer não seria possível.

postado por Marcos 10:54

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Terça-feira, Março 16, 2004

PRELUDIOS
de HENRIQUE DE RESENDE

para Abgar Renault

Um

Escreve pouco.
Mas sempre tenha um rithmo de belleza o teu trabalho.

Olha:

Cáe um pingo de orvalho numa petala de rosa.
E, no entretanto, um céo-de-inverno, inteiro, se reflecte
nessa gôtta de orvalho...

(...)



Poema publicado na edição nº 1 da
Revista Verde (setembro de 1927).

postado por Marcos 23:10

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Segunda-feira, Março 15, 2004
Dúvida

onde há fumaça,
        há fogo
ou gelo?

postado por Marcos 16:27
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Quinta-feira, Março 11, 2004

Epílogo

Guarda,
Guarda tuas jóias
Seguras no peito
Ou no armário embutido.
Não deixes ao mundo
Nenhuma resposta,
Não deixes segredos.
Joga ao mar
As tuas cartas
De copas, coração.
Tem coragem:
Daqui a pouco
Não haverá mais tempo.
Não digas adeus,
Não te despeças,
Não te desnudes.
Observa os meninos
De pés no chão
Perseguindo a verdade.
O teu tempo já passou
Pega o teu passaporte
E cala.

postado por Marcos 23:17
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Terça-feira, Março 09, 2004
48 horas

Preciso, com urgência, de dias com 48 horas.


postado por Marcos 10:16
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HOMENAGEM
aos Homens que Agem

Tarcila não pinta mais
Com verde Paris
Pinta com Verde
Cataguazes

Os Andrades
Não escrevem mais
Com terra roxa
NÃO!
Escrevem
Com tinta verde
Cataguazes.

Brecheret
Não esculpe mais
Com plastilina
Modela o Brasil
Com barro Verde
Cataguazes

Villa Lobos
Não compõe mais
Com dissonâncias
De estravinsqui
NUNCA!
Ele é a mina Verde
Cataguazes

Todos nós
Somos rapazes
Muito capazes
De ir ver de
Forde Verde
Os azes
Cataguazes


Poema de MARIOSWALD
(Mário e Oswald
de Andrade)